Anda por ai
Seguindo seu curso
Tal como um rio
Que se sente,
Mas não se vê.
Nele figuramos
Como meros peixes.
Cardumes inteiros
Bailando na correnteza da vida.
Fraco ou forte,
Segue seu caminho.
Nunca chega a parar!
Viaja ele assim
Pelos quatro cantos do mundo
Em suspiros incansáveis.
Tenta ser notado
Afinal de contas,
Deve ser chato
Ser transparente
Em um mundo
Tão cheio de cores.
O vento
Author: Revérbero Pessoa /Cidade Esperança
Author: Revérbero Pessoa /Nas entranhas do sertão nordestino
Pra lá de onde o vento faz a curva,
Existe uma grande cidade
Chamada Doce Esperança.
De tão grande que é
Começa no fim
E acaba no começo.
Possui apenas uma única rua,
Cortada ao meio
Por uma pequenina praça.
Quem por lá passa
Mal nota a cidade.
Apenas sente uma leve sucessão de cores na paisagem.
Cores essas
Provenientes das casas
Que fazem parte de tal cenário.
As casas representam um arco-íris
E seus habitantes os flocos de algodão do céu.
Tal como no céu
A vida em Esperança
É uma monotonia constante
Tudo acontece em seus horários determinados.
O cotidiano dos esperançosos
Mais parece um ensaiar eterno, preciso e exato.
Como se cada individuo participasse de uma grande peça
No incrível teatro da vida.
Senhoras costuram rendas,
Homens no roçado,
Crianças brincam no chão quente
E o sol escaldante a tilintar em suas cabeças.
São pessoas comuns,
Com hábitos comuns.
Vivem como nuvens
Ao redor de um arco-íris.
A vida por lá passa lentamente, quase parando.
De pouquinho em pouquinho
Os moradores da Esperança
Aprendem como é bom viver
Reconhecendo fascínio e prazer
Em coisas simples
Como o céu.
O tempo
Author: Revérbero Pessoa /É interessante
Como nos acomodamos
Ao tempo.
Os anos passam ligeiro
E todas as surpresas da vida
Tornam-se parte de um cotidiano.
O riso antes branco
Passa a ser amarelo.
Sorrisos
Dotados de falsas aparências
Agora nos rodeiam.
De fato
O tempo não vem para poupar,
Vem para nos consumir.
Sem dó nem compaixão
Ele nos arrasa
Com as marcas da velhice.
A preta, o samba e a lua
Author: Revérbero Pessoa /Preta teu andar me encanta
Logo recordo aquele samba
Que um dia te vi dançar.
Dançavas com alegria
No meio do salão
Fazendo ventania,
Arrebatando meu coração.
A lua por vergonha se escondeu
Com medo do brilho teu.
Ninguém sabe por onde
Creio que foi pra lá do horizonte.
O céu ficou cinza
Parece-me que todos lá de cima
Tiveram pena da pobre coitada
E pra castigar
Mandaram uma bela chuvarada.
Pobre lua...
Sem ter a quem amar
Fez o céu inteirinho chorar.
A praça: Os outros
Author: Revérbero Pessoa /
Ao sentar-se
Em um dos bancos da praça.
Um senhor,
Com seus 80 anos.
Observa o amor juvenil
Brotar vívido
Do banco logo a frente.
Lembra de seus anos dourados,
Das paixões que viveu
E até mesmo as que não passaram de um forte desejo.
“Bons tempos aqueles...”
Suspira o pobre velho.
No banco a sua direita
Encontra-se um mendigo a roncar
Fazendo barulho para espantar a fome.
Sua roupas imundas estão em farrapos.
Imagina
Como um homem
Pode abtuar-se
A tais condições.
O velho lembra-se de anos atrás,
Lembra que um dia
Lutou pela igualdade,
Mas deixou-se corromper
Pelo espirito capitalista.
Olhando para a esquerda
O velho vê um banco vazio.
Logo questiona-se
Sobre quem irá ocupa-lo.
Começa a observar a praça.
Suas faces e contornos.
Praça essa que visita regurlamente,
Todos os dias as 9:00hs.
A praça: Faces e contornos
Author: Revérbero Pessoa /
Seu nome
Remete a um herói lacal
“Praça Hermétero leão”.
Jovem que salvou
Três famílias de uma casa em chamas.
Pobre Hermétero,
Acabou morto.
Encontra-se bem conservada,
Devidamente arborizada.
Representa um oásis
Em meio ao caos urbano.
Lá existe uma pequena lagoa
Onde pessoas divertem-se
Alimentando os famintos patos
Com pipocas.
No centro da lagoa
Encontra-se inerte ao tempo
O personagem q da nome
A praça.
Mal sabe o velho
Que a praça o conheçe muito bem.
Desde sua infância o analisa.
A praça: O velho
Author: Revérbero Pessoa /
Todos os dias lá está ele
No mesmo banco.
Calado,
Sereno.
A refletir sobre o passado
Comtemplando o presente.
É calvo,altos
E um tanto gordo.
Detentor de um grande rancor
Não costuma sorrir.
Vive amargurado.
Desde criança
Frequenta a mesma praça.
Primeiro com sua mãe,
Depois com seu pai
E por fim,
Sozinho.
Do banco em que encontra-se
Olha o tempo passar.
Gastando
A sua solidão
Em meio aos pombos.