A complexidade
Da criação é inevitável
Quando não há
Mais forças nas mãos.
Papéis rabiscados
Transbordam da mesa.
São sinais claros,
Vãs tentativas
De erguer em palavras
Pensamentos ocos.
A pesada pena
Agora repousa inerte
Sobre o papel.
Pena
Author: Revérbero Pessoa /Não gira bem
Author: Revérbero Pessoa /É minha amiga
Falam as boas línguas
Que você não gira bem.
Seu cirandar é capenga.
Você não tem mais jeito
Não tem mais porque esperar.
Vá logo andando
E não ouse olhar pra trás.
Deixe de lado
Toda essa gente
Insistente em dizer
Que você não gira bem
E que é capenga
O seu cirandar.
Tem dias...
Author: Revérbero Pessoa /Estes são dias cinza
Repletos de deformidades.
O ar
Agora denso e escuro,
Circula o inconsciente
Dando voltas e voltas
E sempre retomando
A mesma idéia.
Não criar
Author: Revérbero Pessoa /Outra vez estou aqui
Debruçado sobre pena e papel.
A vida antes fácil
Agora é dolorosa
Os versos saem cambaleantes
Um por vez
Sem ordem certa.
Mas não são versos,
São palavras tortas
Atiradas no papel
Ainda em branco.
A dor do não criar
É inevitável!
Batuque bamba
Author: Revérbero Pessoa /Saiu de casa
Às sete da noite
Com seu pandeiro
Na mão.
Já no ônibus
Começou a batucada
E batendo foi
Até o ponto final.
Saltou no ponto,
Correu feito doido
Pois o batuque verdadeiro
Já ia começar.
Esbaforido chegou,
Chegou à gafieira.
Da porta ouvia
O burburinho
E o pandeiro em sua mão
Começou a coçar.
Tocou por toda a noite,
Fez suar o barracão.
Se acabou no samba,
No pandeiro
E na cachaça.
Pela manhã
Quando a alegria teve fim
Já havia bebido
Toda a cachaça do lugar.
Vagou trôpego pelas ruas
Num cambalear gingado
Cheio de samba e tradição.
Pensamentos em pó
Author: Revérbero Pessoa /
Recolhido ao pó,
Encontro as coisas
Que realmente importam.
A superficialidade dos ídolos,
Exemplos ideais
Do viver são.
A glória corrupta,
Mascarada pela fé.
Em um tempo
Que já passou.
Espera-se pacientemente
Que num estalar de dedos [...um instante na imensidão do tempo]
Tudo se arranje,
Doce ilusão!
A vã sabedoria plástica
Implantada em
Nossas mentes.
Inertes marionetes.
Negação
Do que se foi
E do que virá!
Só nosso
Author: Revérbero Pessoa /
Meu bem
Depois de tanto tempo
Não tenho um só lamento.
Faria tudo outra vez.
Uma vez mais
Roubar-te um beijo.
E novamente
Surpreender-me.
Pensar em ti
Boa parte do dia.
Levado pela felicidade
A sorrir.
E porque não?!
Sentir as saudades
E a falta que você me faz.
Recriar nossos
Momentos mágicos.
Onde figurávamos
Em um mundo
Só nosso.
E por fim
Descobrir que juntos
Tornamos-nos um só.