...

Author: Revérbero Pessoa /


Tudo o que tem q ser
Um dia vai passar.

E nesse dia você verá
Que o tudo era absolutamente o nada.
Coisas vãs e sem importância.

Vai querer se livrar
Disse ou daquilo.

Mas o nada
Já te consome por completo.

Não há mais saída,
Nem tempo para pensar
Ou alterar o que foi feito e dito
Não há uma segunda chance.

João

Author: Revérbero Pessoa /


La vai o João,
Bobo e risonho
Como sempre fora.

João é feliz.
Não tem medo de viver, de rir ou chorar.
Não liga para o que os outros pensam
Ou até mesmo
Dizem a seu respeito.

Vive sua vida de
Maneira intensa saboreando cada momento
Cada instante.

Sempre risonho desce a rua assobiando
Sua modinha preferida.
Há muito popular
Que fez sucesso nos tempos de seu pai.

João meus amigos
Vive assim
De um sorriso pra outro.
Transplantando alegria ao peito alheio.

Ô vida boa.

A despedida do João

Author: Revérbero Pessoa /


Quem diria que o João
Nosso doce amigo de versos passados
Deixasse um dia de sorrir,
De sentir e passar toda aquela alegria
Que a todos contagiava.

É João, meu nobre amigo
Não mais o reconheço.
Andas por ai deprimido a sussurrar e murmurar
O teu amor perdido.

Vagando de bar em bar
Tentas esquecer o que antes era sólido
E agora virou pó.

Mas um dia tudo isso teve um fim.
Se foi bom ou ruim,
Não cabe a mim o dom de julgar.

Só sei que foste beber
Para afogar todo o sentimento ruim
E terminaste afogado por ele.

Pobre João,
Por que tu meu amigo
Quis um dia amar?

Carta

Author: Revérbero Pessoa /


Chegamos de mansinho um no outro.
Conversas simples e sem nenhum significado
Deram inicio a nossa pequena história.

As horas passavam depressa
Naquela noite de janeiro.
A cada minuto meu desejo aumentava.

Finda toda a diversão
Voltamos para casa.
Mesmo com o sono a nos rodear
Conversamos...

Desde o primeiro momento que te vi
Pude ver a bela mulher
Que você havia se tornado.

Não resistindo à tentação
Roubei-te um beijo.
Confesso que estava com medo
De uma possível rejeita.

Para meu alivio,
Beijaste-me.

Com o passar dos dias
Encontramos-nos várias vezes.
Encontros esses que figurarão
Eternamente em minha memória.

No meio de tantas risadas
Deixamos de perceber
Que a cada dia
Apegávamos-nos um ao outro.

Nunca esquecerei
Nós dois na beira da praia
Numa noite fria.
Aonde o mar vinha beijar nossos pés.
E a lua, coitada,
Por não poder amar escondeu-se por trás de nuvens escuras.

Chovia fino quando nos beijamos.
Por um momento flutuamos,
Esquecemos do mundo.
Por doces e adoráveis minutos
A única coisa que nos importava era o momento.

E como foi dolorido
Ter que te deixar.
Olhar para trás e vê
Que tudo
Agora são só boas lembranças.

Despedidas sempre são tristes.
Sentia um grande amargo na boca
E um forte aperto no peito
Quando te disse adeus.

Sei que choraste
Assim como também chorei.
A dor que se sente ao perder algo
É grande, mas toda essa grandeza
É dissolvida em lágrimas.

Creio que seja próprio do ser humano
Chorar ao partir.

E o céu a nos observar
Também chorou ao nosso adeus.


Dedicado a Kiara, que fez os meus dias mais felizes.

O vazio

Author: Revérbero Pessoa /

Vivendo da inconstância de outro ser.
Que me obrigou a viver
Nesse nefasto mundo do esquecimento.

Que de tão negro e medonho,
Até minha própria sombra
Fiel amiga e companheira de degradantes horas.
Deixou-me e partiu a vagar em outros seres,
Outros mundos,
Quem sabe até mais felizes.

Não sinto, não respiro
Não possuo ação ou reação.

Tudo o que faço
É o pouco que ainda me alegra.
Enxergar, observar
Até mesmo tatear
Esse mundo escuro e de tal forma homogêneo
Que começo a sentir-me parte dele.

Por fim

Author: Revérbero Pessoa /

Ei. Cadê você
Que nunca mais chegou assim
Juntinho de mim.

É. Acho que esqueceu
Que o teu coração,
Um dia
Já foi todinho meu.

Vai me diz por que
Você se foi,
Porque tinha q ser assim
É só tristeza em mim.

E assim.
Sem hesitar
Eu fico aqui
A te esperar.

Chuva do céu

Author: Revérbero Pessoa /

Chuva do céu.
Quero que caias sem me notar
A passar em meio a teu pranto.

Chuva do céu.
Vem ao meu encontro.
Que tuas gotas mais líquidas
Caiam sobre minha pele.

Chuva do céu.
Vem lavar todo esse desprezo
E retirar toda essa mágoa
Que só com água sairão.

Chuva do céu.
Peço que não me encharque,
Pois meu desprezo e mágoa
São fontes de singela ilusão.